Pilhas e baterias: um lixo perigoso
No Brasil, o termo bateria refere-se a dispositivos industriais, automobilísticos e equipamentos médicos, por exemplo, enquanto o termo pilha refere-se a dispositivos de uso doméstico.
As pilhas também são denominadas células, sendo constituídas por um ânodo (pólo negativo) e por um cátodo (pólo positivo), imersos no eletrólito que possibilita a troca de elétrons entre ambos. Várias pilhas, ligadas em série, formam uma bateria.
Podem apresentar-se de várias formas: cilíndricas, retangulares, botões e moedas. Quanto ao tamanho, podem receber as denominações de: palito (AAA), pequeno (AA), médio (C) e grande (D).
Dividem-se em duas classes: as primárias e as secundárias. As pilhas primárias são usadas apenas uma vez e substituídas, pois a reação química que ocorre é irreversível. As pilhas secundárias são compostas por sistemas eletroquímicos, nos quais não ocorre a dissolução dos materiais ativos no eletrólito alcalino, permitindo que essas pilhas possam ser recarregadas e reutilizadas.
Além de metais pesados tóxicos, as pilhas comuns também contêm substâncias químicas perigosas como o cloreto de amônia e o negro de acetileno. Na pilha do tipo alcalina, o mercúrio tem a função de armazenar as impurezas geradoras de gases, contidas nas matérias-primas, que podem prejudicar o desempenho e a segurança do dispositivo.
As baterias de celular também apresentam metais tóxicos que poluem as águas e os solos.
Tanto as substâncias presentes nas pilhas quanto das baterias, se ingeridas através da água ou dos alimentos, podem provocar distúrbios metabólicos que levam à osteoporose, disfunção renal, doenças cardíacas, dores de cabeça, anemia, depressão, distúrbios digestivos e problemas pulmonares, por exemplo.
As pilhas são lançadas diariamente no meio ambiente por milhões de pessoas. Ao serem descartadas de forma inadequada, liberam seus componentes tóxicos no ambiente, contaminando o solo, a água, a atmosfera, podendo causar sérios danos a diversas formas de vida, incluindo o homem.
Segundo dados da "EPA" (Agência de Proteção Ambiental Americana), cerca de 88% do mercúrio encontrado no lixo doméstico provém das pilhas. Na Tabela 1 apresentam-se dados quanto à composição química e usos de diversos tipos de pilhas e baterias.
Tabela 1 - Principais Componentes e Aplicações de Pilhas e Baterias
| TIPO | COMPONENTES | USOS | BATERIAS SECUNDÁRIAS |
| Níquel-cádmio | Níquel, cádmio, hidróxido de potássio. | Aparelhos eletrônicos, eletroportáteis sem fio, brinquedos, telefones celulares. | Hidreto de níquel metálico |
| Níquel | Vários metais raros. | Computadores, telefones celulares, filmadoras. | Íon lítio |
| Grafite | Lítio, óxido de cobalto. | Computadores, telefones celulares, filmadoras, relógios | Chumbo-ácido (selada) |
| Chumbo | Ácido sulfúrico. | Luz de emergência, fontes de energia, brinquedos, vídeos, eletroportáteis. | Chumbo-ácido |
| Chumbo | Ácido sulfúrico. | Partida automotiva | Alcalina de manganês |
| Zinco | Dióxido de manganês, eletrólitos básicos. | Rádios, flash luminoso, brinquedos, etc. | Aerada de zinco |
| Zinco | Ainda em estudos. | Baterias primárias | Alcalina de manganês |
| Zinco | Dióxido de manganês, eletrólitos básicos. | Rádios, flash luminoso, brinquedos. | Zinco-carbono |
| Zinco | Dióxido de manganês, eletrólito ácido. | Luz de flash, brimquedos, controle remoto, relógios. | Lítio |
| Dióxido de lítio e manganês ou monofluoreto de policarbono | | Bips, trancas com cartão magnético, etc. | Óxido de mercúrio |
| Zinco | Óxido de mercúrio. | Equipamentos médicos, militares e de emergência. | Prata |
| Zinco | Óxido de prata. | Relógios de pulso, calculadoras, aparelhos de audição. | Aerada de zinco |
| Fonte: Wolff et al, 2000. | |||
A produção média de pilhas no Brasil é de aproximadamente 670 milhões de unidades por ano, dentre as quais predominam as alcalinas. É importante considerar também a grande quantidade de pilhas que entram no país como produtos importados. Observa-se, ainda, uma acelerada expansão do consumo de baterias, decorrente do crescente uso de telefones celulares: de 1994 a 1999, o número de telefones celulares passou de 800 mil para 17 milhões de aparelhos, o que representa 22% de todas as linhas de telefone celular da América Latina. A estimava é que para 2007, haja mais telefones celulares do que fixos.
Nem todos os tipos de baterias apresentam o mesmo grau de risco ambiental, e o mercado já dispõe de dispositivos pouco danosos ao ambiente. Entretanto, aproximadamente 11 mil toneladas de baterias usadas foram descartadas no período de 1995 a 1999, contaminando o solo dos aterros comuns e colocando em risco também os recursos hídricos.
Quanto às baterias automotivas, estas são, normalmente, do tipo chumbo-ácido (Pb-H2SO4), sendo classificadas como de elevado risco ambiental, devido aos severos efeitos negativos que o chumbo e o ácido sulfúrico ocasionam sobre os seres vivos em geral. O Brasil não é auto-suficiente na produção de chumbo primário. Por isso, este tipo de bateria é reprocessado em unidades de produção de chumbo secundário. Porém muitas indústrias recicladoras de baterias, mal estruturadas, também contribuem para a severa contaminação ambiental com chumbo e ácido sulfúrico.
Apesar do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) ter inovado no gerenciamento ambiental e descarte de pilhas e baterias usadas, ao instituir a Resolução 257/99, segundo a ABES - Associação de Engenharia Sanitária e Ambiental - para os que acreditavam que as empresas fabricantes seriam as grandes interessadas em orientar a população, contribuindo assim para a instituição de um programa de coleta seletiva e correta destinação final de pilhas e baterias, aquela Resolução foi uma decepção.
Embora os produtos tenham vida longa, resistência e causem efeitos danosos ao ambiente, os fabricantes estão isentos de qualquer responsabilidade por sua coleta e destinação, bastando apenas se enquadrar nos limites de metal pesado tolerado e permitido por cada unidade de pilha ou bateria.
A ABES ainda destaca que tal Resolução está atrapalhando o processo de conscientização ambiental, ao não levar em consideração o consumo crescente de pilhas e baterias que, ao serem lançadas no solo, têm ocasionado grave contaminação do ambiente por metais pesados.
A gravidade do problema pode ser avaliada ao considerar-se que uma pilha pode durar entre 100 e 500 anos para ser absorvida, depois de descartada e que, no Brasil, cada indivíduo descarta uma média de 10 pilhas/ano, totalizando a preocupante cifra de 170 milhões de pilhas descartadas ao ano em nosso país.
Para evitar que as substâncias presentes nas pilhas e baterias sejam liberadas e provoquem danos aos organismos vivos é necessário não jogá-las no lixo e encaminhá-las pra processamento adequado.
Alguns fabricantes, principalmente das baterias de celular, dão orientações sobre o que fazer com esse lixo:
Baterias de celular da Nextel - todas as lojas da Nextel têm urnas para depósito de baterias usadas, que são encaminhadas para reciclagem, o telefone para contato em caso de dúvida é: *611, disponível apenas para celulares Nextel.
Baterias de celular Nokia - No site www.nokia.com.br há relação das lojas e assistências técnicas autorizadas a receber as baterias velhas. O material é enviado para o exterior onde é reciclado. O telefone para contato é (11) 5681-3333.
Baterias de celular Motorola - a central de atendimento ao Consumidor da empresa informa, através do telefone 0800 7011244 os locais que recebem as baterias. Se sua cidade não tem o serviço, a bateria pode ser encaminhada à Motorola pelo correio, a cobrar.
Baterias de celular da Samsung - as lojas de assistência técnica tem recipientes para descarte das baterias antigas, informações pelo telefone: 0800-124421.
Baterias de celular Sony Ericssom - as baterias devem ser encaminhadas à assistência técnica ou à operadora mais próxima para armazenagem na filial brasileira, e logo após são encaminhadas para uma empresa de reciclagem. O telefone para contato é 4001-0444.
Baterias automotivas - devem ser deixadas no local da troca, de onde são encaminhados para reciclagem, os principais centros de reciclagem localizam-se nos estados do Paraná e São Paulo.
Pilhas comuns - os fabricantes de pilhas das marcas: Duracell; Eveready; Kodak; Panasonic; Phillips; Rayovac e Varta informaram que as mesmas estão atendendo aos teores de metais pesados estabelecidos pela Resolução CONAMA 257/99, não sendo por isso obrigatória a sua devolução. As demais indústrias disponibilizaram centros de recepção que podem ser obtidos no site do ibama: www.ibama.gov.br
Ao destinar adequadamente as pilhas e baterias o cidadão está contribuindo para a manutenção da qualidade do solo, da água e do ar. É a parcela de cada um para a preservação da vida.
* Regiane Schio é bióloga, especialista em Gestão Governamental pela UFMS e Mestre em Tecnologias Ambientais com ênfase em Saneamento Ambiental pela UFMS.
"Este trabalho contou com apoio do Fundo Nacional do Meio Ambiente - Ministério do Meio Ambiente"
Esse post foi uma solicitação, via e-mail, de Luciana Figueiredo, acadêmica de Ciências Biológicas, que está desenvolvendo um projeto de coleta desses materias. Parabéns pela iniciativa!!!!!



9 comentários:
Olá minha lindinha
!
Acabei de colocar meus agradecimentos há ti, pelo mimo, e quero pedri licença para publicar essa matéria lá em casa também, penso ser de interesse de todos.
Grandes beijos e boa semana, que o Senhor te abençoe e lhe derrame muitas e muitas graças.
RÔ!
Oi, Rô,
Claro que pode publicar, sempre sigo a linha do "quanto mais divulgado melhor"!!
Depois vou lá conferir.
Tenho tido problemas em publicar comentários no seu Blog, aparece uma mensagem de erro e o comentário não fica registrado!
Beijos pra você também!
Fica na paz!
Oi Miriam!
Td bem?
Tem selinho p/ vcs em meu blog, passa lah!
Bjs
PS: Depois eu volto p/ ler seu post!
Ops, é meme! Me enganei! =P
Renatinha,
eu acho que têm as duas coisas....rss
"Brigadim" pelo carinho!
Então volta...
Beijo!
REalmente... existem muitas informações que a população não têm acesso. Porque a mídia não explora esses assuntos para conscientizar o povo sobre o destino correto de pilhas e baterias? Abraço e bj querida.
Sérgio,
infelizmente deve ser porque isso não dá manchete!!
Bom que voltou, sentimos sua falta!
Abraço.
Muito boa matéria!
Devemos ficar contentes com o desenvolvimento de novas tecnologias, mas devemos concientizar as pessoas para proteger o meio-ambiente.
Outro fator importante é o uso cada vez maior de cartão de plástico para recarregar celular. Uma empresa do Estado de Pernambuco lançou um programa de recarga de celular sem cartão, no qual, cada afiliado ganha recarga de celular ao indicar o programa para um amigo.
Acesse www.clubecell.com.br/?1988 e veja o filme explciativo!
Sucessos
paulozambroza@yahoo.com.br
Fone: (21)8783-0215
Paulo,
obrigada pela visita, elogios e dica!
Vou lá conferir o link que você sugeriu.
Volte mais vezes!
Sucesso pra vc também!
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